O vídeo vertical para jornalismo se tornou um dos pilares centrais do jornalismo digital em 2025. A mudança no comportamento do público é profunda: a maioria das pessoas consome notícias em vídeo e, cada vez mais, de forma rápida, imediata e mobile. Plataformas como TikTok, YouTube e Instagram dominaram esse formato, atraindo uma audiência que antes pertencia aos portais de notícias.
Para não perder relevância, veículos do mundo inteiro passaram a trazer o vídeo vertical para dentro dos seus próprios aplicativos. O objetivo é claro: recuperar controle sobre audiência, dados, engajamento e monetização. Além disso, o formato se mostrou extremamente eficiente para aumentar o tempo de uso do app e melhorar a experiência do assinante.
O avanço global do vídeo vertical dentro dos aplicativos
Grandes veículos, como The New York Times, The Economist, CNN, Washington Post e Newsday, incorporaram abas internas totalmente dedicadas ao vídeo vertical. Essas abas funcionam como feeds contínuos, mas sem os algoritmos de engajamento das redes sociais.
“Sempre queremos garantir que estamos atendendo a todo o nosso público, e não queremos que eles tentem todos esses lugares diferentes para receber as notícias do jeito que querem”, disse McCarthy, vice-presidente de desenvolvimento digital do Newsday.
O New York Times criou a aba Watch com curadoria editorial baseada em relevância e qualidade. Nada é sugerido apenas pelo potencial de viralização. O propósito é preservar o valor jornalístico dentro de um formato popular. O The Economist adotou o vídeo vertical como uma ferramenta de retenção e decidiu liberar o conteúdo apenas para assinantes, o que aumentou significativamente o tempo de permanência no app. Em ambos os casos, o vídeo deixou de ser um complemento e passou a ser parte essencial da experiência.
Por que o vídeo vertical funciona tão bem para publishers
O crescimento desse formato ocorre por três razões principais: a familiaridade do público com vídeos rápidos, a facilidade de consumo no mobile e a capacidade do formato de criar conexão imediata com repórteres e marcas jornalísticas. O vídeo vertical aproxima, explica e engaja sem exigir esforço do usuário.
Além disso, o vídeo se tornou um dos formatos com maior aceitação entre anunciantes, principalmente quando exibido dentro dos aplicativos, onde a segurança de marca é maior. O New York Times, por exemplo, já anunciou que transformará o vídeo vertical em um pilar de sua estratégia publicitária a partir de 2026.
A importância de produzir conteúdo nativo no formato vertical
Um dos maiores erros de muitos publishers é apenas recortar vídeos de televisão para o formato 9:16. O público percebe quando o conteúdo não é nativo e o engajamento despenca.
O vídeo vertical exige uma linguagem própria. Isso envolve edição mais rápida, legendas claras, narrativas diretas e presença dos repórteres falando para a câmera. Redações que adotaram essa abordagem criaram equipes específicas para o formato e observaram aumento imediato de visualizações e compartilhamentos.
Os melhores resultados aparecem quando o conteúdo é pensado desde o início para o vertical. Isso vale tanto para hard news quanto para explicativos, conteúdo de serviço e jornalismo local.
Retenção e engajamento: o impacto direto nas assinaturas
O vídeo vertical para publishers se tornou um aliado poderoso contra o churn. O The Economist comprovou que assinantes que consomem diferentes formatos dentro do app tendem a permanecer mais tempo e renovar suas assinaturas com maior frequência. O vídeo facilita a entrada do usuário no aplicativo e impulsiona o consumo de outros conteúdos, como reportagens, artigos e análises.
Esse efeito cria uma cadeia positiva: mais engajamento gera mais valor percebido, o que aumenta a retenção e fortalece o modelo de assinatura.
Desafios de UX e a necessidade de equilíbrio
Apesar do sucesso, a adoção do vídeo vertical apresenta desafios importantes. Alguns usuários abrem o aplicativo em busca de leitura silenciosa, e a presença de um feed muito acelerado pode gerar sobrecarga. É fundamental equilibrar a nova experiência de vídeo com a navegação tradicional do app.
Outro ponto crítico é a necessidade de atualização constante. O usuário já está acostumado a feeds infinitos e dinâmicos nas redes sociais. Um feed interno com pouco conteúdo rapidamente perde relevância. A curadoria diária se torna indispensável para manter a vitalidade da aba.
A grande oportunidade para publishers regionais
O vídeo vertical não beneficia apenas os grandes veículos. Na verdade, os publishers regionais têm uma vantagem competitiva natural. O público local busca proximidade, identificação e agilidade. O vídeo vertical se encaixa perfeitamente nesse cenário.
Ao mostrar rostos conhecidos, cobrir pautas que impactam a comunidade e dar voz a repórteres de rua, o formato fortalece a relação entre o veículo e o cidadão. A estratégia devolve às redações locais parte da relevância que, nos últimos anos, migrou para influenciadores e criadores independentes.
“O vídeo vertical é hoje a porta de entrada para novos públicos e uma ferramenta estratégica para engajamento e credibilidade. Quem entender essa linguagem e aplicar com responsabilidade editorial estará um passo à frente na construção do futuro dos veículos de comunicação.” (Gediel Mendes)
O futuro é vertical, multiplataforma e mobile
O movimento global dos publishers é irreversível. O vídeo vertical se tornou parte fundamental da evolução dos aplicativos de notícias e do relacionamento com a audiência. Veículos que dominarem esse formato vão consolidar presença, melhorar a experiência do usuário e abrir novos caminhos de monetização.
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