Futuro do jornalismo digital na Era da IA: verdades que todo publisher precisa encarar

Cena futurista no jornalismo digital na Era da IA com um jornalista utilizando laptop em ambiente tecnológico ultra moderno repleto de luzes neon e hologramas
Gediel Mendes
6 Min Read

Durante um webinar promovido pela Premium ADS, Jean de Oliveira Böck, Diretor de Inovação e Digital do Grupo ND, trouxe à tona um debate urgente e necessário: como sobreviver e prosperar na nova era do jornalismo, marcada pelo avanço da inteligência artificial e pela queda do tráfego orgânico proveniente do Google.

Sob o tema “O futuro dos publishers em tempos de IA”, o bate-papo mediado por Carol Chaim foi mais do que uma análise de tendências, foi um verdadeiro chamado à reinvenção para editores, jornalistas e gestores de portais de conteúdo.

Fim da era do tráfego fácil

Jean foi direto: “A era do tráfego orgânico gratuito acabou.” O executivo explicou que ferramentas como o Google AI Overview e o Perplexity estão assumindo o papel de entregar respostas rápidas ao usuário, sem que ele precise visitar os sites de notícias. A consequência? Uma queda brusca e progressiva na audiência de portais que historicamente se apoiavam quase exclusivamente no SEO.

O tráfego que muitos portais achavam que era deles, nunca foi. Era do Google, e ele está mudando as regras, destacou.

Jornalismo digital baseado em volume se tornou insustentável

Durante anos, o modelo predominante no Brasil foi o de monetização por volume: mais pageviews, mais receita publicitária. Mas essa lógica está ruindo. A IA, segundo Jean, está suprindo com mais eficiência o conteúdo “soft”, como “o que é” ou “como fazer”, que antes rendia milhares de acessos. Resultado: conteúdos rasos, generalistas e genéricos tendem à obsolescência.

Regulamentar o Google? Caminho atrasado

Jean foi categórico ao comentar as tentativas de regulamentação das Big Techs em países como Austrália e Canadá. Na sua visão, obrigar o Google a pagar por conteúdo pode sair pela culatra. “O Google prefere retirar o serviço de notícias do ar a ter que pagar. Isso já aconteceu. Notícia representa só 6 a 8% das buscas. Eles abrem mão fácil”, afirma Jean.

A provocação dele é clara: o esforço jurídico consome energia que deveria estar sendo usada para construir uma base de usuários fiel e direta.

Relevância é o novo tráfego

Diante desse cenário, o diretor do Grupo ND propõe um novo norte: deixar de competir por volume e passar a disputar por relevância, confiança e comunidade.

A fórmula, segundo Jean, passa por três pilares:

  1. Conteúdo aprofundado, original e humano: focado em jornalismo investigativo, denúncias e narrativas que exigem empatia e contexto;
  2. Relacionamento direto com o público: via newsletters, cadastro de leitores e estratégias de engajamento mais próximas;
  3. Diversificação de modelos de negócio: incluindo assinaturas, memberships, cursos, consultorias, marketing de conteúdo e até produtos físicos.

O jornalista como orquestrador

A IA, segundo Jean, não é inimiga é ferramenta. “O jornalista do futuro é um orquestrador. Usa a IA para ampliar sua capacidade, mas entrega o que só o humano pode oferecer: empatia, leitura de contexto e análise crítica.”

Ele enfatizou que usar IA para criar conteúdo 100% automatizado é uma armadilha: esses textos tendem a ser mal ranqueados e ignorados pelo público. Em vez disso, a IA deve servir para sugerir títulos, lapidar textos, encontrar erros e sugerir novos ângulos sem roubar a originalidade.

Portais de nicho e estratégias além do Google

Jean defende que portais menores têm uma grande vantagem nesse novo mundo: a especialização. Ao se aprofundar em um tema específico, esses veículos constroem confiança e fidelização, algo que os gigantes generalistas não conseguem com tanta facilidade.

Além disso, ele reforçou a importância de explorar canais como:

  • Instagram e TikTok para construção de marca e autoridade;
  • Newsletters para relacionamento direto;
  • WhatsApp como canal de fidelização e retorno.

A nova lógica da sustentabilidade digital

O futuro, nas palavras de Jean, não está em ser o maior, mas em ser o mais relevante para um público específico. Em um ambiente onde as Big Techs ditam o jogo e a IA faz o papel de “curador” de informações, os portais que sobreviverão serão aqueles que construírem relações diretas, confiáveis e constantes com seus públicos.

Frase que resume o encontro

“A gente precisa parar de construir conteúdo para o Google e começar a construir valor para as pessoas.”

Conclusão: Um novo mapa para o jornalismo digital

O webinar da Premium ADS foi um verdadeiro manifesto pela reinvenção dos publishers. Jean de Oliveira Böck não apenas apontou os desafios como também ofereceu caminhos. Ficou claro que o futuro dos portais de notícias não será impulsionado por volume, mas por comunidade, profundidade e confiança. Agora, cabe aos publishers decidirem: insistir no modelo que está ruindo ou redesenhar seu futuro com base no que realmente importa: o vínculo humano com a audiência.

Share This Article
Follow:
Gediel Mendes é jornalista digital e especialista em SEO e Marketing com mais de 20 anos de experiência no Paraná. Graduado em Marketing Digital pela Universidade Positivo e pós-graduado em Jornalismo Digital pela Uninter. Assessor de Comunicação da Ponte de Guaratuba e consultor em Estratégias Digitais para portais de notícias. Possui vasta experiência e diversas certificações nas áreas de jornalismo, design, marketing, gestão de redes sociais, tráfego pago, WordPress e SEO.